Falta de alinhamento entre CISOs e C-Levels expõe empresas a risco

Aumento de ataques impulsionados por inteligência artificial e ciclos acelerados de entrega de software tornam mais difícil proteger as companhias, já que 87% dos CISOs globais afirmam que a segurança de aplicações ainda é um ponto cego
Da Redação
20/05/2024

As barreiras de comunicação interna têm dificultado a capacidade dos CISOs de lidar com ameaças cibernéticas. É o que constatou uma recente pesquisa encomendada à Coleman Parkes pela empresa de segurança cibernética Dynatrace.

Os resultados indicam que CISOs acham difícil promover o alinhamento entre as equipes de segurança e  a alta administração (C-Level) das empresas, deixando lacunas na compreensão sobre riscos cibernéticos. Como resultado, se veem mais expostos a ameaças cibernéticas avançadas, em um momento em que os ataques impulsionados por inteligência artificial (IA) estão em ascensão.

No relatório deste ano, a Dynatrace explorou essas lacunas de comunicação para entender melhor como uma abordagem unificada de observabilidade e segurança pode ajudar as equipes a colaborarem de forma mais eficaz e reduzir a exposição aos riscos. As principais descobertas incluem:

  • Falta de alinhamento entre executivos de C-Level e o conselho de administração leva a riscos cibernéticos: os CISOs têm dificuldade em promover o alinhamento entre as equipes de segurança e   a alta administração, com 87% dos CISOs (90% no Brasil) afirmando que a segurança de aplicações é um ponto cego em nível de CEOs e de conselhos.
  • As equipes de segurança são muito técnicas: sete em cada dez executivos C-Level  entrevistados afirmam que as equipes de segurança falam em termos técnicos sem fornecer contexto de negócio. No entanto, 75% dos CISOs globais (80% dos líderes do Brasil) destacam que o problema está enraizado em ferramentas de segurança que não conseguem gerar insights que os executivos C-Level e os conselhos de administração possam usar para entender os riscos empresariais e prevenir ameaças.
  • A inteligência artificial está impulsionando ameaças cibernéticas mais avançadas: lidar com essa lacuna tecnológica e de comunicação está se tornando cada vez mais urgente, pois o aumento dos ataques e ameaças cibernéticas impulsionados por IA eleva significativamente o risco empresarial.
  • CISOs brasileiros classificam as principais prioridades de gerenciamento de segurança cibernética de suas empresas na seguinte ordem:

1:  Gerenciamento e resposta a crises (por exemplo, violação de dados e foco da mídia);

2: Segurança de aplicações (como gerenciamento de vulnerabilidades);

3: Supervisão de riscos internos (como uso de dispositivos móveis), gerenciamento de riscos de terceiros (por exemplo, serviços em nuvem ou cadeia de suprimentos) e conformidade regulatória, como HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act) e PCI DSS (Payment Card Industry Data Security Standard).

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Nesse contexto, quase três quartos dos CISOs globais afirmam que sua empresa teve um incidente de segurança de aplicações nos últimos dois anos. No Brasil, o número sobe para 84%. Esses incidentes acarretam riscos significativos, com os CISOs de todo mundo destacando as consequências comuns que experimentaram, incluindo impacto na receita (47%), multas regulatórias (36%) e perda de participação de mercado (28%).

Outras descobertas da pesquisa incluem:

>> A necessidade de promover um engajamento mais próximo entre as equipes de segurança e a alta administração está se tornando mais importante à medida que o aumento da inteligência artificial expõe as empresas a um risco adicional. 52% de CISOs globais estão preocupados com o potencial da inteligência artificial de permitir que cibercriminosos criem exploits — software ou código que têm como objetivo assumir o controle de computadores ou roubar dados de rede —, por exemplo, mais rapidamente e os executem em uma escala mais ampla. 45% também estão apreensivos com o potencial da IA de permitir que os desenvolvedores acelerem a entrega de software com menos supervisão, levando a mais vulnerabilidades.

>> Enquanto procuram por uma solução, 83% dos CISOs globais (92% dos líderes brasileiros) afirmam que a automação de DevSecOps é mais importante para gerenciar o risco de vulnerabilidades introduzidas pela IA. Além disso, 71% dos CISOs de todo o mundo dizem que a automação de DevSecOps é fundamental para garantir que medidas razoáveis tenham sido tomadas para minimizar o risco de segurança de aplicações. No Brasil, porém, apenas 10% dos CISOs afirmam que sua empresa possui práticas maduras de automação do DevSecOps.

>> 77% dos CISOs globais afirmam que as ferramentas atuais, como XDR e soluções SIEM, não podem gerenciar a complexidade de nuvem, pois carecem da inteligência necessária para impulsionar a automação em escala, e 70% dos líderes afirmam que a necessidade de várias ferramentas de segurança de aplicações gera ineficiência operacional devido ao esforço necessário para dar sentido a fontes de dados díspares.

O relatório é baseado em uma pesquisa global com 1.300 CISOs e dez entrevistas com CEOs e CFOs em empresas com mais de mil funcionários em todo o mundo.

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